terça-feira, setembro 05, 2006

La Ville d'Ys

Jacques Lesot

Eis que a loucura me assola de novo :P

Tombado, tropeço na sequência dos obscuros dias, com vários eus, desencontrados, em tumulto, conquistando a espaços a loucura do ser que habitam.

Estou diante da minha porta... todos os dias segurando trémulo a chave, chave dos meus fantasmas, dos meus medos, caminhando só entre a visão fértil dos rebentos do meu sangue e o assombro castrador da solidão que antevejo.

Entro e sento-me na janela que me permite ser outro.

Nessa janela vejo o mar. Oiço sinos a tocar debaixo de água. Dizem que em tempos ali existiu uma cidade, cidade de druídas, e onde existiu uma catedral. Debruço-me e vejo jóias cintilantes no profundo oceano, como relampagos de prata, em lutas titânicas.

O som não é nítido. O som ondulante mergulha-me no mar profundo, ouvindo os sinos mais e mais próximos, apressados, numa sequência ensurdecedora.... que, escutem, agora acalmou, para os ouvir ao longe, para não os ouvir mais.

É o que resta da cidade dos Y's, em homenagem à qual se fez Par-Ys (semelhante a Ys), a cidade mais bela que existiu na antiguidade, mas que foi inundada por castigo divino.

Para revivê-la, recomendo La cathedrale engloutie de Debussy, que poderei mandar por mail a quem desejar.

secret him




5 Comments:

At setembro 06, 2006 4:55 a.m., Blogger RIC said...

Texto poderoso! Bem conseguida a passagem da audição para o final factual. Parabéns!

 
At setembro 06, 2006 9:50 a.m., Blogger Thiago said...

Que interessante :-)

 
At setembro 06, 2006 11:05 a.m., Blogger /me said...

Muito giro. :D

 
At setembro 07, 2006 1:17 a.m., Blogger Aequillibrium said...

mesmo muito giro
;)

 
At setembro 07, 2006 12:00 p.m., Blogger x4x_it said...

Eu quero! =)

 

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