La Ville d'Ys
Eis que a loucura me assola de novo :P
Tombado, tropeço na sequência dos obscuros dias, com vários eus, desencontrados, em tumulto, conquistando a espaços a loucura do ser que habitam.
Estou diante da minha porta... todos os dias segurando trémulo a chave, chave dos meus fantasmas, dos meus medos, caminhando só entre a visão fértil dos rebentos do meu sangue e o assombro castrador da solidão que antevejo.
Entro e sento-me na janela que me permite ser outro.
Nessa janela vejo o mar. Oiço sinos a tocar debaixo de água. Dizem que em tempos ali existiu uma cidade, cidade de druídas, e onde existiu uma catedral. Debruço-me e vejo jóias cintilantes no profundo oceano, como relampagos de prata, em lutas titânicas.
O som não é nítido. O som ondulante mergulha-me no mar profundo, ouvindo os sinos mais e mais próximos, apressados, numa sequência ensurdecedora.... que, escutem, agora acalmou, para os ouvir ao longe, para não os ouvir mais.
É o que resta da cidade dos Y's, em homenagem à qual se fez Par-Ys (semelhante a Ys), a cidade mais bela que existiu na antiguidade, mas que foi inundada por castigo divino.
Para revivê-la, recomendo La cathedrale engloutie de Debussy, que poderei mandar por mail a quem desejar.
secret him

5 Comments:
Texto poderoso! Bem conseguida a passagem da audição para o final factual. Parabéns!
Que interessante :-)
Muito giro. :D
mesmo muito giro
;)
Eu quero! =)
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