sábado, dezembro 02, 2006

Sobre o toque.

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Tocar alguém é das cousas melhores da vida. Sem ser exclusivo do Homem, várias espécies gostam da proximidade, do toque, da carícia, da brincadeira de corpos, sem demonstrar aí mais nada senão o apreço e a ligação ao outro, amigo, namorado, familiar ou apenas colega de trabalho.
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Tenho encontrado pela vida pessoas que atribuem tamanha importância ao toque. Chega a ser doentia a preocupação de proximidade ou de ameça de "se tocar".
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Num alargamento do conceito, sou conduzido à expressão mais social do toque, que é o abraço. Há poucos anos, sentia também algum desconforto em abraçar alguém. Na passagem da adolescência para a adultícia, qualquer jovem sente esse desconforto. Deixamos de ser abraçados pelos colegas dos nossos pais e parece que começa a ser esperado de nós que abracemos os outros. Muitas vezes temos até vontade de o fazer mas demoramos em bloqueios mentais que, quando vamos a ver, nos impediram já de celebrar aquele encontro com "aquele abraço".
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Hoje, em relação a mim, sinto ultrapassadas essas barreiras. Sou fã do toque. Não do toque gratuito, mas do toque celebração, do toque conforto, do toque linguagem e do toque amigo. Reparava no outro dia que ao conversar com o R., meu antigo colega de trabalho, pousei as minhas mãos sobre as suas, que descansavam sobre a mesa e lhe dei um conselho sentido sobre uma decisão sua. Fiquei orgulhoso de o ter feito, pois numa amizade como a nossa, não teria sentido ser de outra forma.
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Na Índia, a amizade masculina é algo atípica para parâmetros ocidentais. É frequente os homens andarem abraçados na rua, por vezes polícias caminharem de mãos dadas, e não são considerados menos masculinos por causa disso. Sempre admirei as pessoas que comunicavam com o toque. Por mim, deitarei abaixo barreiras que impeçam de seguir o seu exemplo.
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Ao escrever sobre o toque, não me esqueci do dia em que passeei de mão dada contigo pela cidade.

7 Comments:

At dezembro 03, 2006 12:41 a.m., Blogger desenho. said...

Ah pois é! E eu bem sei o que são esses bloqueios. E precisamente por ter tomado noção é que tento de vez em quando combate-los... como dar um abraço de amizade. É sobretudo mais dificil qd se trata de homem com homem.

Estamos a trabalhar na honestidade sentimental! Com muito orgulho de si... "a" laranja :P =)

 
At dezembro 03, 2006 10:36 p.m., Blogger Thiago said...

Que bonito :-) o toque é a melhor coisa que existe, seja qual for a sua natureza.

 
At dezembro 04, 2006 12:21 p.m., Anonymous Anónimo said...

É bom tocar em quem gostamos, it's good to feel the vibes!

 
At dezembro 04, 2006 3:41 p.m., Blogger MSP said...

Tocar alguém é comunicar-se. O abraço, a simples mão pousada sobre o outro, transmite a nossa energia, pode relaxar, acalmar, confortar, e até curar. Eu era completamente averso a tocar nas pessoas, mas fui aprendendo não só a fazê-lo como sobretudo a querer fazê-lo sempre e cada vez mais. Dando-me recebo, tocando curo-me.
parabéns pelo post.
com um abraço
NC

 
At dezembro 04, 2006 3:44 p.m., Blogger MSP said...

Oi Secret!
Tocar é de facto algo único! Adorei a referência à India, logicamente, e os seus "atipismos" são algumas das maiores luzes que parece que ofuscam a politicamente correcta sociedade ocidental...Importa tocar, importa saber tocar. Por mim, prefiro sempre um toque suave e persistente, continuado, como se eu fosse para o outro como um Sari que o quer proteger dos pés à cabeça.
Com um beijo, sempre
Maharani

 
At dezembro 04, 2006 5:36 p.m., Blogger Maria Clarinda said...

***** ;=milhões de jinhos

 
At dezembro 07, 2006 5:55 p.m., Blogger Kokas said...

Muito bom! O melhor que li hoje na blogosfera! Parabéns!

Aquele abraço!

 

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