O fabuloso destino de dois anónimos

Aproximava-se o dia. Um fim de semana planeado a grossos e desalinhados esquissos, onde havia espaço para decisões a dois, surpresas, vontades. Foram levados um pelo outro, como dois cachorros em desafio mútuo.
Olharam a cidade à altitude das águias, viram como eram pequenas as pessoas e trivial a vida que levavam. Sonharam formas de alcançar o sublime.
Em terra, beberam néctares e torradas com manteiga. Subiram no autocarro das 17h45. Atravessaram o rio de mãos dadas, rodeados por tágides atentas e silenciosas.
Desceram em Palmela, subiram a cidade. Olharam a paisagem, a distância e sentiram-se donos do futuro e do amor.
Descobriram um quarto, aninharam-se. Concluíram que era felizes em qualquer parte. Que a calma da relação era apaziguadora. Uniram as suas almas e adormeceram como que anestesiados.
Lá fora o vento dançava e as cortinas, inquietas, invejavam a liberdade da folhagem. A tarde de início de Verão vestia-se de cinzento e toda a cor do mundo voava naquele quarto de hotel.
Levantaram-se e procuraram um restaurante. Eram os primeiros a chegar. Uma senhora apressou-se a recebê-los e sentou-os. Separaram com lentidão as alvas e tenras camadas de bacalhau e com as pernas juntas, debaixo da toalha amarela daquela sala de estilo rústico, olharam-se e disseram com os olhos o que haviam prometido no quarto.
Caminharam pelas ruas iluminadas por apliques de luz amarela. Fazia frio.
Voltaram ao hotel que parecia habitado apenas por eles. Envolveram-se em mantas como cachemiras e saíram para um dos terraços para os quais o seu quarto deitava. Beberam chá, deitados numa chaise longue de fina verga, olharam as estrelas.
Conversaram sobre a infância. Olhavam-se com o coração. Embora não o concretizassem à frente de olhares sorrateiros, abraçavam-se de vez em quando naquele mundo que era só seu.
11 Comments:
E o doce conventual? Esqueces-te sempre dos doces. :P
Nada como o amor para libertar a veia poética...
só não gostei do bacalhau...
Eu também não gostei muito, porque estava salgado demais para meu gosto. Mas naquele contexto, soube-me mesmo bem. E o resto estava óptimo. ;)
Bem, qdo vi a foto ia dizer que dali se via a casa dos meus papás... Mas depois de ler o post, só consigo suspirar!
Fico feliz por vcs! do fundo coração!!
Forte abraço!!
/me,
com um doce como tu, esqueço-me dos restantes, claro está :P
momentos,
e que amor! estou mesmo muito feliz! e graças ao meu home :D
abraço para ti
sh
aequi,
o bacalhau faz bem à cabeça dos meninos :D e dá o sal necessário à relação :P
abraços para ti
sh
Suspira, suspira, chicão!
tenho mais fotos das vistas de palmela! depois partilho!!
abraços,
sh
Que mais posso acrescentar á poesia com que descreves o teu (vosso) encantamento?
Espero que não seja encantamento, pinguim! O encantamento, por artes ou magias, é normalmente efémero.
Como dizia alguém, que seja efémero até que a morte nos separe.
um abraço
sh
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