domingo, maio 27, 2007

O fabuloso destino de dois anónimos


Aproximava-se o dia. Um fim de semana planeado a grossos e desalinhados esquissos, onde havia espaço para decisões a dois, surpresas, vontades. Foram levados um pelo outro, como dois cachorros em desafio mútuo.

Olharam a cidade à altitude das águias, viram como eram pequenas as pessoas e trivial a vida que levavam. Sonharam formas de alcançar o sublime.

Em terra, beberam néctares e torradas com manteiga. Subiram no autocarro das 17h45. Atravessaram o rio de mãos dadas, rodeados por tágides atentas e silenciosas.

Desceram em Palmela, subiram a cidade. Olharam a paisagem, a distância e sentiram-se donos do futuro e do amor.

Descobriram um quarto, aninharam-se. Concluíram que era felizes em qualquer parte. Que a calma da relação era apaziguadora. Uniram as suas almas e adormeceram como que anestesiados.

Lá fora o vento dançava e as cortinas, inquietas, invejavam a liberdade da folhagem. A tarde de início de Verão vestia-se de cinzento e toda a cor do mundo voava naquele quarto de hotel.

Levantaram-se e procuraram um restaurante. Eram os primeiros a chegar. Uma senhora apressou-se a recebê-los e sentou-os. Separaram com lentidão as alvas e tenras camadas de bacalhau e com as pernas juntas, debaixo da toalha amarela daquela sala de estilo rústico, olharam-se e disseram com os olhos o que haviam prometido no quarto.

Caminharam pelas ruas iluminadas por apliques de luz amarela. Fazia frio.

Voltaram ao hotel que parecia habitado apenas por eles. Envolveram-se em mantas como cachemiras e saíram para um dos terraços para os quais o seu quarto deitava. Beberam chá, deitados numa chaise longue de fina verga, olharam as estrelas.

Conversaram sobre a infância. Olhavam-se com o coração. Embora não o concretizassem à frente de olhares sorrateiros, abraçavam-se de vez em quando naquele mundo que era só seu.

11 Comments:

At maio 27, 2007 9:47 a.m., Blogger /me said...

E o doce conventual? Esqueces-te sempre dos doces. :P

 
At maio 27, 2007 11:54 a.m., Blogger Momentos said...

Nada como o amor para libertar a veia poética...

 
At maio 27, 2007 7:11 p.m., Blogger Aequillibrium said...

só não gostei do bacalhau...

 
At maio 27, 2007 7:44 p.m., Blogger /me said...

Eu também não gostei muito, porque estava salgado demais para meu gosto. Mas naquele contexto, soube-me mesmo bem. E o resto estava óptimo. ;)

 
At maio 28, 2007 8:25 p.m., Blogger Chicão said...

Bem, qdo vi a foto ia dizer que dali se via a casa dos meus papás... Mas depois de ler o post, só consigo suspirar!

Fico feliz por vcs! do fundo coração!!

Forte abraço!!

 
At maio 29, 2007 10:11 p.m., Blogger secret him said...

/me,

com um doce como tu, esqueço-me dos restantes, claro está :P

 
At maio 29, 2007 10:12 p.m., Blogger secret him said...

momentos,

e que amor! estou mesmo muito feliz! e graças ao meu home :D

abraço para ti
sh

 
At maio 29, 2007 10:13 p.m., Blogger secret him said...

aequi,

o bacalhau faz bem à cabeça dos meninos :D e dá o sal necessário à relação :P

abraços para ti
sh

 
At maio 29, 2007 10:14 p.m., Blogger secret him said...

Suspira, suspira, chicão!

tenho mais fotos das vistas de palmela! depois partilho!!

abraços,
sh

 
At junho 05, 2007 6:41 p.m., Anonymous Anónimo said...

Que mais posso acrescentar á poesia com que descreves o teu (vosso) encantamento?

 
At junho 06, 2007 12:14 a.m., Blogger secret him said...

Espero que não seja encantamento, pinguim! O encantamento, por artes ou magias, é normalmente efémero.

Como dizia alguém, que seja efémero até que a morte nos separe.

um abraço
sh

 

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