domingo, abril 23, 2006

Glicínias




As Glicínias são umas das minhas flores preferidas. Acho belíssima a forma como pendem nas escadas enferrujadas e ou cantarias e varandas gastas pelo tempo.

Encontro-as inebriadas de poesia e de história quando as vejo afirmarem o passado que gerações idas com elas levaram, dos risos espontâneos que ecoam onde não se sabe, das crianças que brincaram nos pátios, dos brinquedos e dos corações partidos, dos choros, das traições, das partidas custosas e das falsas alegria à chegada.

Brotam virilmente das paredes quebradas pela saudade, numa promiscuidade muda, que atravessa os anos, que atravessa os olhares e o olfacto.

Vi-as hoje, numa manhã passada em Sintra, e viajei mentalmente parado em frente à Villa Roma e Seteais a contemplá-las.

Lembrei-me da coroa que em 1900, Emília colocou no funeral do Eça entrelaçada em glicínias e hortênsias. Não existe flor que encerre tanta triteza e tanta saudade.

3 Comments:

At abril 23, 2006 9:12 p.m., Blogger dcg said...

Sintra...
Anseio pelo dia em que vou conhecer...

 
At abril 24, 2006 11:15 a.m., Blogger Thiago said...

que bonitas...e que bonito o teu texto!

 
At abril 25, 2006 10:42 p.m., Blogger secret him said...

DCG:

Se precisares de um guia pode-se arranjar! Fiz uma vez uma reportagem sobre o Palácio da Pena e a sua história é encantada!

Thiago:
Muchas Gracias! Tinha uns erros que já corrigi! ;)

 

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